Entre perdas, recomeços e conquistas, Geraldo Rufino construiu uma visão de sucesso em que caráter, pessoas e a capacidade de seguir em frente valem mais que o patrimônio.
Ainda criança, Geraldo Rufino começou a trabalhar aos oito anos. Ensacou carvão, catou reciclados no lixão e vendia limão na feira, aprendendo cedo a fazer o que podia com o que tinha.
A perda da mãe ainda na infância deixou uma marca profunda. Geraldo diz ter aprendido com ela a gratidão e a importância de olhar para o que se tem antes de lamentar o que falta. Anos depois, esse aprendizado continuou presente em sua vida e nos recomeços, reforçando algo que ele carrega até hoje: patrimônio pode mudar, mas aquilo que se constrói dentro de si permanece. Os recomeços também mudaram sua compreensão sobre sucesso. Depois de perder dinheiro, patrimônio e negócios, Rufino percebeu que aquilo que possuía poderia desaparecer, mas não o que havia aprendido. Para ele, recomeçar passou a significar reconhecer o que ficou, agradecer pelo caminho percorrido e seguir adiante. “Existe uma distância enorme entre ter e ser. O que você tem vai embora de um dia para o outro. O que você é vai junto com você para o próximo começo.”
Mais do que os negócios que construiu, Geraldo Rufino reconhece em quem caminhou ao seu lado parte essencial de sua trajetória e da forma como compreende liderança.
Liderança se constrói no exemplo No Playcenter, Geraldo Rufino começou como office-boy e percorreu diferentes funções até chegar à diretoria de operações. Foi ali que aprendeu algo que levaria para a vida empresarial: liderança não nasce do cargo, mas da responsabilidade assumida diante das pessoas.
Ao longo dessa trajetória, Rufino aprendeu que liderança não está no cargo, mas na postura. Para ele, líder é quem assume a responsabilidade quando algo dá errado e divide o mérito quando dá certo. “Máquina você compra. Processo você ajusta. Gente você conquista, todo dia, no exemplo.”
Essa visão também aparece na maneira como Rufino enxerga sua equipe. Ele diz que nunca gostou da ideia de ter gente trabalhando para ele, mas gente trabalhando com ele. Para Rufino, ninguém sobe sozinho, e reconhecer quem participou da caminhada também faz parte da liderança.
Quando o negócio passa a ser gente A JR Diesel ocupa um lugar importante na história de Geraldo Rufino, mas não resume aquilo que ele considera seu maior patrimônio. Depois de tantos anos empreendendo, sua compreensão sobre sucesso passou a estar muito mais ligada às pessoas.
Ao falar sobre o que construiu, Rufino desloca a atenção do patrimônio para as relações. Para ele, empresas se transformam, bens mudam de mãos, mas aquilo que se constrói nas pessoas pode permanecer muito além dos negócios. “Hoje eu tenho clareza total do meu negócio. Meu negócio é gente.”
É a partir dessa visão que Rufino define o compromisso que carrega hoje: impactar ao menos uma pessoa por dia. Às vezes, diz ele, isso acontece em um palco; em outras, em uma conversa de dez minutos ou simplesmente ouvindo alguém. Fé, gratidão e movimento Rufino chama essa visão de “fé-licidade”: fé, gratidão e movimento. Ele diz acreditar em Deus, mas também na própria responsabilidade de agir. “Você põe o pé, Deus põe o chão”, resume.
“Que seja menos pelo tamanho da empresa que eu construí e mais pelo tamanho da gente que eu ajudei a levantar.” Para Rufino, uma empresa ganha outro significado quando aquilo que constrói também alcança a vida das pessoas. Resultado, para Rufino, não termina no que uma empresa conquista. Também está nas oportunidades criadas e nas pessoas que conseguem ir mais longe a partir delas. “Se eu consigo fazer alguém enxergar uma possibilidade onde antes só tinha dificuldade, o meu dia já valeu.”
No fim, Rufino mede sua trajetória menos pelo patrimônio acumulado e mais pela capacidade de contribuir para a história de outras pessoas. É essa a lembrança que deseja deixar: não apenas aquilo que construiu, mas também as pessoas que ajudou a levantar.

